[novo] CONFIGURAÇÕES FAMILIARES E RELAÇÕES ÉTINICAS NO SENEGAL: UMA LEITURA PSICANALÍTICA

in Estudos de Psicanálise – Belo Horizonte, 46, 151-158, dez., 2016

 

Robenilson Moura Barreto
Paulo Roberto Ceccarelli

 

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Introdução

Defronte com um debate espinhoso para alguns campos do conhecimento na história moderna, apresentamos aqui algumas questões a respeito de uma violência sistemática e ideológica tomada pela humanidade em torno do racismo, preconceito e da discriminação racial em sujeitos negros. Um debate que se configura como um caminho importante para compreensão das relações raciais na diáspora americana e no continente africano.

Não por acaso, o esforço para se debruçar diante do conhecimento sobre o imenso e imperioso continente africano, ao qual antecederam a colonização no Brasil e os mais de 300 anos de escravidão negro-africana sob a égide da exploração europeia, está na produção ínfima do conhecimento psicológico e psicanalítico em seu território. Nunca é demais lembrar, que esse continente nos trouxe grandes contribuições para formação cultual e histórica do Brasil.

O silenciamento das instituições de ensino e de pesquisa a respeito do imenso continente africano por meio de suas concepções ideológicas eurocêntricas contribui para a sedimentação da exclusão de temáticas ligadas às questões étnico-raciais, e a reprodução de preconceitos e práticas racistas. Essa posição acaba por ser uma forma eficaz de cerceamento de referenciais positivos necessários à formação universal do conhecimento dentro dos espaços acadêmicos, considerados de privilegio e de poder.

Estudos recentes de Sacco; Couto; Koller (2016) mostram o número relativamente baixo de publicações de pesquisas da psicologia brasileira sobre preconceito racial, assim como as lacunas identificadas nas pesquisas publicadas entre o período de 2001 e 2014 revelam que, longe de estar saturada, esse campo de estudo ainda tem muito a se desenvolver no país.

Com isso, temos uma questão: Por que se pesquisa tão pouco sobre psicologia e relações raciais no Brasil?

A história do movimento psicanalítico pelo mundo, nos revela que a insipiente e tímida entrada da psicanalise na África negra é um recorte desse contexto. O livro História do Movimento Psicanalítico de Chemouni (1990) que apresenta a introdução da psicanálise em outros países, em especial, no continente africano mostra que, a exemplo da África do Sul, a terapia psicanalítica é praticada. Contudo, não foram encontrados estudos e elementos que revelem a sua importância no país.

Na região que denomina como “África Negra”, o autor evidencia os países colonizados e sob o domínio dos franceses que a psicanalise não é ignorada, mas praticada por voluntários europeus.

Por que a psicanálise não é desenvolvida e aplicada pelos povos africanos em seu território?

O que explica a acanhada entrada da psicanálise realizada por voluntários europeus na chamada “África Negra”?

Assim, revela que, para a prática da psicanalise ser eficaz, precisa considerar a cultura autóctone. Reafirmando a pesquisa anteriormente citada, acrescenta que nos estudos e pesquisas não encontraram psicanalistas africanos de formação aprofundada.

Cada vez mais, povos de diversas etnias do continente africano atravessam o continente a busca de novos rumos na diáspora por diversos motivos. Contemporaneamente, a migração vem se constituindo como um fenômeno de relevância no debate sobre o sofrimento psíquico diante do rompimento das dinâmicas culturais de suas regiões e o deslocamento forçado de populações africanas motivado por conflitos, perseguição política a minorias e o consequente colapso econômico em sua pátria-mãe.

A África se caracteriza por grandes fluxos migratórios intracontinental e intercontinental. Esse fluxo migratório se apresenta como um fenômeno que tem uma relação intima com a pobreza e com as guerras civis geradas desde o processo de colonização.

Diante de uma realidade atrelada ao rompimento forçado gerado por esses conflitos, existe também um processo de migração estudantil de africanos nas Universidades Federais brasileiras.

Como exemplo disso, existe a Casa Brasil África (CBA) que foi proposta pelo Grupo de Estudos Afro-Amazônico da Universidade Federal do Pará (NEAB-UFPA) criada através da Portaria nº 3313/2006, e vinculada à Pró-reitora de Relações Internacionais da Universidade Federal do Pará (PROINTER/UFPA), que tem como um dos seus objetivos apoiar os estudantes negros e africanos em suas atividades acadêmicas e culturais, sobretudo, fomentar sua participação em todos os espaços institucionais e acadêmicos.

A problemática das imigrações abarca uma discussão que versão sobre novas construções identitárias no Brasil e novas experiências coletivas nas interações culturais chamada ‘diáspora do atlântico negro’ (GILROY, 2001).

Nesse sentido, a construção de novos referencias identificatórios se apresenta como um elemento presente na migração africana na medida em traz uma problemática racial para as relações sociais de vivencia do migrante. E essas relações serão mediadas pela construção subjetivas e discursivas em torno da raça/cor.

Dessa forma, é no Brasil que a experiência de preconceito e discriminação racial se dará de forma concreta, com a falsa ideia do mito da democracia racial brasileira de que o brasileiro é acolhedor e recebe bem todos os imigrantes, o que não correspondem à realidade, no caso de haitianos e desses negros africanos, vítimas de racismo em território brasileiro.

Assim, segundo Moore (2008), as relações com a cultura e a identidade cultural de um povo não se refletem unicamente pela construção de sua história, mas uma história que encarna uma maneira peculiar de ser e de estar no mundo. A história se materializa como um elemento fundante de novas vivencias no território de um povo.

 

Etnopicanálise

Assoun (1993) nos mostra que Freud tinha o desejo de descobrir uma “clínica da cultura” para além dos estudos de casos e estudos clínicos individualizados. Esse desejo aparece descritos nos textos em Totem e tabu (1913), Mal-Estar na Civilização (1930), O Futuro de uma ilusão (1927) e Moisés e o Monoteísmo (1939).

Pouco difundida no Brasil, o termo Etnopsicanálise é uma disciplina científica que conjuga antropologia e psicanálise na teoria e na prática terapêutica. Essa questão tem sido trabalhada de forma bastante expansiva praticada mais expressamente no contexto europeu (BARRO; BAIRRÃO, 2010).

O desejo de ampliar os estudos etnopsicanalítico no Brasil remonta a grande presença de sujeitos negros do continente africano, sobretudo diante das relações raciais de desigualdade socioeconômica e de sofrimento psíquico estabelecidas entre brancos e negros na condição pessoas estrangeiras.

Barro; Bairrão (2010) nos mostra que os trabalhos de autores etnopsicanalistas como Nathan e Rose Moro, defendem não apenas a prática de uma “clínica transcultural” também destinada à população majoritariamente imigrante, mas também o reconhecimento que essas pessoas possuem outras formas de se cuidar e tratar que fazem parte de seus sistemas culturais de origem.

Esses trabalhos se revelam bastante significativo para uma população que sofre no contato com a cultura francesa, marcada por forte racismo, principalmente contra as populações de origem árabe e africana.

Mas há que se considerar que se trata de uma prática pensada a partir de populações imigrantes em uma sociedade europeia. Ou seja, é importante ressaltar que estas práticas foram construídas em resposta a esse contexto, por isso não podem ser transpostas, tal como o são, à realidade brasileira, apesar de contribuírem para uma reflexão teórica e prática.

O livro Édipo Africano, que é fruto desse estudo, é o resultado de quatro anos de trabalho clínico de dois psicanalistas franceses Marie-Cécile Ortigues, psicanalista, e Edmond Ortigues, filósofo, (1989) no Hospital Psiquiátrico de Dakar, a partir de um estudo etnopsicanalítico.

Os autores percebem a especificidade da dinâmica psíquica do contexto simbólico africano, que abre todos os caminhos importantes para a produção teórica em psicanálise e, ao mesmo tempo, testar a validade de instrumentos teóricos produzidos por Freud.

Segundo Reis Filho (2006), a etnopicanálise nasceu da junção da psicanalise com a etnografia. Nesse estudo, como uma disciplina científica que conjuga antropologia e psicanálise com o objetivo de estudar não só os distúrbios psicopatológicos ligados a uma cultura específica, mas também como a maneira como essas diferentes culturas classificam e organizam as doenças psíquicas.

Ortigues e Ortigues descrevem de forma precisa o choque cultural entre europeus e africanos quando foi desenvolver um trabalho no hospital de Fann em Dakar, no Senegal, no período de 1962 a 1966.

Marie-Cécile recebia famílias que lhe traziam basicamente crianças e adolescentes encaminhados por médicos do hospital ou professores dos municípios. O que chama a atenção no estudo é o enfrentamento dos pesquisadores para o desafio de praticar uma psicanálise numa sociedade com tradições e práticas não europeias e ocidentais. A todo momento ela se perguntava como se constitui o Édipo, essa estrutura nuclear da psicanalise numa sociedade com etnias distintas como a tribo dos Wolof.

 

Os Wolof e suas configurações familiares

A composição das origens étnica dos Wolof é muito complexa.

Tende-se a considerar este grupo como uma amálgama de diversas raças: Serer, Toucouleur, Peul, Sarakolé. Sua unidade foi constituída pela história”. (MARTIN, 1964, p.35)

Vindo de Fouta Toro, no século XIV, os Wolof estão constituídos no vasto império que reuni Dyolof, o Cayor, o Oualo, oBaol e o Sine-Saloum. Mas a desagregação desse império foi rápida e até a conquista colonial, guerras sangrentas envolveram pequenos reinos independentes.

Em 1544 os portugueses descobrem cabo verde e em 1634 é criado o primeiro estabelecimento francês. Ingleses e holandeses e franceses disputaram em seguida os primeiros fortes e os primeiros negócios. Foi Faidherbe quem conquistou e organizou administrativamente o Senegal cuja unidade se realizou em 1892.

A introdução ao islamismo é muito antiga e marcada pelos séculos X e XI, mas há somente um século que assistimos a sua expansão rápida por meio de uma conjuntura globalizada. As seitas desenvolvem-se muito, uma delas (a seita múrida) nasce no centro da região Wolof.

Antigamente, o lugar de chefe era herdado por linha materna, embora a nobreza da linhagem paterna fosse requisitada para poder reinar. Atualmente, sob a influência do islamismo, a linhagem paterna prepondera incontestavelmente. A herança e a sucessão são patrilineares. A residência é virilocal. O pai, ou na sua falta, o irmão mais velho tem autoridade sobre a descendência paterna. Todavia, um ego doente ou em dificuldade busca auxilio na linhagem materna. O casamento preferencial é com a prima cruzada; em segunda posição vem o casamento com a prima paralela patrilinear.

As mulheres eram influentes no governo. O Linger ou Rainha Mãe era a cabeça de todas as mulheres wolof e muito influente na política estadual. Ela possuía um número de aldeias e fazendas de cultivo que pagavam tributos diretamente a ela. Havia também outros chefes do sexo feminino, cuja principal tarefa era julgar os casos envolvendo mulheres.

No estado Walo mais ao norte do império, as mulheres podiam aspirar ao cargo político e governar o Estado. Entre os primos cruzados, assim como entre os Wolof e os Serer, existe uma relação de parentesco fácil. As divisões tradicionais das castras subsistem, mas talvez seja menos rígida que no ano passado.

Os Wolof constituem a etnia dominante no Senegal, que corresponde a 37% da população, das quais quase um terço é urbanizada. Entre eles encontram-se a maior proporção de funcionários e comerciantes. Muitos senegaleses se dizem Wolof sem sê-lo, para indicar desta forma que são urbanizados, aculturados e instruídos.

O complexo de édipo nas etnias Wolof

O complexo de Édipo constitui uma das problemáticas fundamentais da teoria e da clínica psicanalítica. Na teoria psicanalítica, o momento crucial da constituição do sujeito encontra-se em torno do mito edipiano. Com isso, a conjuntura do núcleo das neuroses apresenta-se como ponto fundamental da sexualidade humana.

Além disso, o Édipo a partir do qual o sujeito irá estruturar e organizar circula em torno da diferenciação entre os sexos e de seu posicionamento frente à angústia de castração. Nesse entorno da constituição do sujeito, o complexo edipiano também anuncia, ao mesmo tempo, a presença de um outro em sua formação.

Para Laplanche e Pontalis (2001, p. 11) o complexo de Édipo apresenta-se como um:

Conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança sente em relação aos pais. Sob a sua forma dita positiva, o complexo apresenta-se como na história de Édipo-Rei: desejo da morte do rival que é a personagem do mesmo sexo e desejo sexual pela personagem do sexo oposto. Na realidade, essas duas formas encontram-se em graus diversos na chamada forma completa do complexo de Édipo.

Ainda segundo os autores, Freud revela que o apogeu do complexo de Édipo é vivido entre os três e os cinco anos, durante a fase fálica; o seu declínio marca a entrada no período de latência. É revivido na puberdade e é superado com maior ou menor êxito num tipo especial de escolha de objeto. O complexo de Édipo desempenha papel fundamental na estruturação da personalidade e na orientação do desejo humano. Para os psicanalistas, ele é o principal eixo de referência da psicopatologia.

Desse modo, os dados encontrados pelos autores da investigação clínica os impuseram um problema do complexo de édipo nas etnias Wolof. Em todos os casos observados, mesmo quando se tratava de crianças criadas por seus tios materno, e mesmo que as crianças não tivessem conhecido seu pai, a referência ao pai se impunha de maneira explicita e central. De maneira tipicamente diferente do modelo tradicional na sociedade ocidental.

A figura paterna tendia a se assemelhar à de sua própria faixa etária; a fantasia da more do pai tendia a se relacionar com o ancestral, ou seja, com o pai já morto inatacável representando uma autoridade da tradição.

Portanto, a rivalidade tendia a se deslocar para os irmãos, ou aqueles que são chamados de “os iguais”, ao mesmo tempo que a agressividade recalcada pela lei da solidariedade se transformava em intepretações persecutórias. Esses indicativos analisados na observação clínica chamaram a atenção dos autores para um fato central, ou seja, a importância da religião dos ancestrais.

No entanto, essa religião como um elemento regulador e orientado dessa dinâmica psíquica limita a demanda de psicoterapia analítica ao propor uma solução ritual para os dois problemas principais. Por um lado, faz ver na ocorrência do mal (físico e moral) um sinal advinhatório, por outro lado, revela nas origens da vida a fonte de uma autoridade que une os vivos e os mortos numa mesma comunidade transmitida de geração em geração.

Nesse contexto, parece que o ponto comparativo seria os estudos das tradições coletivas com as observações clínicas no ponto em que possam se encontrar. Contudo, ambas mostraram que as questões fundamentais da humanidade, da origem e da falta estão incluídos nos laços humanos. (CECCARELLI, 2012)

A rivalidade edípica apresentada deslocada para os irmãos ou outros próximos como os tios, os primos e essas relações é mediada pelo que o autor chama de feitiçaria e pela bruxaria. Algo que podemos pensar, por exemplo, numa configuração familiar de um culto de religião de matriz africana na diáspora, aos ancestrais/antepassados (orixás, inquices, vodús, caboclos, eguns dentre outros).

Essas observações clínicas nos orientam para uma dinâmica psíquica diante da importância da religião de matriz africana. A religião apareceu como um limitador da psicoterapia analítica ao propor uma solução ritual para duas questões principais: por um lado, faz ver na ocorrência de algum mal (físico ou moral) um sinal advinhatório, por outro lado, revela na origem da fonte da vida uma autoridade que une os vivos e os mortos numa mesma comunidade. Podemos perceber essa relação nas comunidades de religiões de matriz africana com os jogos de Ifá e nas celebrações aos orixás em festas no Ilê Axé (casa de força, energia).

Nesse sentido, tanto as observações clínicas, quanto os estudos das tradições coletivas nos mostram que a as questões fundamentais da humanidade – origem e falta – estão incluídas na formação dos laços humanos.

 

Uma análise psicanalítica

Cécile e Ortigues, numa proposta bastante ousada articula a psicanalise e etnologia, duas ciências com demandas distintas. Esse, acreditamos, é o desafio colocado para psicanálise nos últimos tempos. O etnólogo quer saber, pergunta, demanda. O psicanalista, que pelo contrário, acolhe a demanda, escuta.

Com a finalidade de pesquisar como as referências culturais podem se tornar operatórias na clínica, perguntavam sobre o que é resolver uma situação edípica numa sociedade onde a função simbólica do pai permanece ligada à do ancestral.

Verificam que a sociedade africana é uma sociedade onde a castração é vivida no registro da obediência a lei dos mortos, a lei dos ancestrais. Desobedecer equivale a ser excluído, abandonado pelo grupo. Desse ponto de vista, o conhecimento etnográfico contribui de forma significativa para uma escuta psicanalítica.

Reis Filho (2006) diz que ficar preso ao discurso etnológico pode reduzir a psicanalise a um culturalismo compreensivo, o que faria perder o seu modo próprio de operar e suas referências teóricas específicas, tornando o analisante um informante de fatos sociais.

Reis filho (2006) nos lembra ainda que, quando um analista trabalha numa cultura diferente da sua, ele ilustra uma característica essencial da atitude analítica, já que nenhuma proposição pode ser compreendida sem que haja uma referência ao contexto familiar, social e cultural.

Ainda assim, acredita que o trabalho clínico não precisa ser precedido de uma informação sociológica profunda, pois, embora um mínimo de informação seja necessário, o que mais importa é sustentar a posição transferencial do analista.

Ortigues e Ortigues (1989) puderam estabelecer isto ao verificarem o transe religioso animista senegalês, no qual o sujeito se vê confrontado com o sobrenatural. Eles não deixaram seduzir pelas identificações imaginárias que fazem da cerimonia um espetáculo. Buscam nas fontes autenticamente religiosas e sociais do rito o ponto mais fecundo de aproximação com a psicanalise.

Os autores ainda nos advertem que em qualquer cultura ou país lidamos com subgrupos que partilham valores e representações diferente, trazendo para o trabalho analítico cotidiano o desafio de lidar com as diferentes culturas e a singularidade de cada analisante na sua relação transferencial: o analista é um estrangeiro.

 

Considerações Finais

Os estudos realizados na década de 1960, que foram apontados no livro “Édipo Africano” de Marie Cécile e Edmond Ortigues, apresentam uma cultura que se estabelece uma relativa frequência ou uma absoluta ausência de uma certa organização psicopatológica em que pode ser observada nas populações étnicas da República do Senegal.

A que fatores atribuir um modelo peculiar de organização social e familiar? Esses fatores devem ser de natureza psíquica e devem possuir uma articulação com o sistema social do grupo considerado, já que se trata de características particulares a este grupo.

Desse modo o trabalho mostra que a lei é instaurada mesmo numa cultura onde quem exerce a função de pai simbólico não é um sujeito adulto, mas uma árvore que representa os ancestrais. São conteúdo, modos operantes específicos de cada cultura transmitidos a gerações seguintes e que organizam as experiências dos sujeitos nessa cultura. Essa relação com os aspectos culturais e a organização psíquicas desses povos, assim como no Brasil, precisa ser considerada no contexto de análise da dinâmica psíquica.

Referências

 ASSOUN, P. L. Freud e as ciências sociais: psicanálise e teoria da cultura. São Paulo: Loyola, 2008.

BARRO, M. L.; BAIRRÃO, J. F. M. H. Etnopsicanálise: embasamento crítico sobre teoria e prática terapêutica. Revista da SPAGESP – Sociedade de Psicoterapias Analíticas Grupais do Estado de São Paulo. Jan.-Jun. 2010, Vol. 11, No. 1, pp. 45-54.

CECCARELLI, P. R. Mitos, sexualidade e repressão. Ciência e Cultura, Revista da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência , Campinas, v. 64, n. 1, p. 31-35, 2012.

CHEMOUNI, Jacquy. História do Movimento Psicanalítico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora., 1991.

GILROY, Paul. O Atlântico Negro. Modernidade e dupla consciência. São Paulo, Rio de janeiro: Ed. 34/universidade Cândido Mendes – Centro de Estudos Afro-Asiáticos, 2001.

LAPLANCHE, J. & PONTALIS, J. B. Vocabulário de psicanálise. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

MARTIN, V. Notes d’introductionà une étude sócio-religieuse des populations de dakar et de Sénégal. Dakar, Fraternité Saint-Dominique, 1964, p.25.

MEZAN, Renato. A Sombra de Don Ruan e outros ensaios. São Paulo. Brasiliense, 1993, p. 258.

MOORE, Carlos. A África que incomoda: sobre a problematização do legado africano no quotidiano brasileiro. Belo Horizonte: Nandyala, 2010.

ORTIGUES, M.-C; ORTIGUES, E. Édipo africano. São Paulo: Editora Escuta, 1989.

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.

REIS FILHO, José Tiago dos. Escravo Psíquico – Negritude e psicanálise. Tese de Doutorado em Psicologia Clínica. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 2005.

SACCO, Airi M.; COUTO, Maria Clara P.; KOLLER, Sílvia H. Revisão sistemática de estudos da psicologia brasileira sobre preconceito racial. Temas em Psicologia, v. 24, n. 1, p. 233-250, 2016.

Sobre os autores

Robenilson Moura Barreto

Psicólogo. Especialista em Educação Especial e Inclusiva. Mestrando do Programa de Pós Graduação em Psicologia da UFPA na linha de pesquisa “Psicanálise, Teoria e Clínica”. Pesquisador do Laboratório de Psicanálise e Psicopatologia Fundamental da Universidade Federal do Pará (LPPF/UFPA).

E-mail: robenilsonbarreto@hotmail.com

Paulo Roberto Ceccarelli

Psicólogo. Psicanalista. Doutor em Psicopatologia fundamental e Psicanálise – Paris VII. Pós-doutor – Paris VII. Sócio do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais (CPMG). Sócio Fundador do Círculo Psicanalítico do Pará (CPPA). Membro da Société de Psychanalyse Freudienne – Paris – França. Professor do Instituto de Psicologia da PUC- MG. Professor e orientador de pesquisas na Pós-Graduação em Psicologia/UFPA. Professor e orientador de pesquisas do Mestrado de Promoção de Saúde e Prevenção da Violência/MP, da Faculdade de Medicina da UFMG.. Diretor científico do Centro de Atenção à Saúde Mental (CESAME: www.cesamebh.com.br). Coordenador do Instituto Mineiro de Sexualidade (IMSEX: www.insex.com.br) Pesquisador do CNPq. E-mail: paulorcbh@mac.com

Homepage: www.ceccarelli.psc.br

 

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