EXIBICIONISMO

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Entrevista feita pelo Jornalista Edilson sobre o exibicionismo.


1) O que é exibicionismo?

Exibicionismo é uma forma de excitação erótica; um expediente utilizado por um sujeito a fim de excitar-se sexualmente para, eventualmente, atingir o orgasmo. A excitação provém da exposição, do exibir, o corpo, ou parte dele, para um outro. Basicamente, o exibicionismo pode ocorrer de duas formas. Na primeira, as pessoas envolvidas sabem o que está acontecendo: trata-se de uma jogo erótico onde existe uma cumplicidade. Na segunda vertente, e aqui temos o exibicionismo tal é como compreendido pela literatura especializada, ocorre uma imposição de um ato, o de exibir-se, a um outro que não o deseja. A componente agressiva presente nesta forma de exibicionismo é fundamental para a compreensão da dinâmica psíquica do exibicionista: excitação alcançada advém, justamente, do choque, do horror, que ele provoca no outro ao expor-se.

Seria difícil dividir o exibicionismo em graus, da mesma forma que seria difícil graduar outras dinâmicas psíquicas do erotismo. Mesmo porque, em muitos casos, o desejo de exibir-se não é totalmente consciente para a pessoa em questão.

Quanto ao exemplo citado, “mulheres que gostam de posar nuas em lugares públicos” deve ser cuidadosamente analisado pois, muitas vezes, estas mulheres pousam nuas por razões outras – financeiras por exemplo – e não como meio de excitação erótica. Evidentemente, nesta caso, não podemos falar de exibicionismo.

Quanto às que preferem “ter relações sexuais em locais públicos,” não podemos nos esquecer que uma relação sexual exige um parceiro. Ou seja, um homem igualmente exibicionista disposto a jogar compor o cenário.

2) O que leva uma pessoa a se tornar exibicionista?

O ato de exibir-se é, como já foi dito, uma manifestação da sexualidade que não possui uma origem única. Cada exibicionista teve histórias de vida diferentes que culminaram nesta forma de sexualidade. Não existe uma razão única para torna-se exibicionista assim como não existe uma razão única para tornar-se fetichista, sado-masoquista, heterossexual, homossexual e outras tantas formas de expressão da sexualidade humana.


3) Quando as atitudes exibicionistas podem ser consideradas uma patologia?

O exibicionismo, assim como qualquer outra prática sexual, torna-se patológico, caracterizando-se como uma perversão, quando imposto a um outro que não consinta nisso ou que não seja responsável. Por exemplo, impor desejos e condições próprias à pessoas que não estejam dispostas a participar daquele roteiro erótico (estrupo, voyeurismo, exibicionismo…), ou pessoas não responsáveis (crianças, adultos mentalmente perturbados…).


4) A prática do exibicionismo é mais comum entre as mulheres? Você possui alguns dados estatísticos sobre esse comportamento (faixa etária, grau de instrução, casada ou solteira na maioria, etc)?

Para responder a esta pergunta deve-se, antes de mais nada, explicitar o que entendemos por exibicionismo. O fato de mulheres exporem-se em capa de revistas, em sites, posarem nuas, participarem de pornografia etc, não significa, em absoluto, que estas mulheres sejam exibicionistas. É necessário insistir que estas mulheres estão sendo pagas para fazerem o que fazem. Mesmo que algumas declarem sentir prazer em serem admiradas, aliás como qualquer pessoa, esta prática não constitui uma fonte única de excitação. Isso não significa, evidentemente, que não existam mulheres exibicionistas.

Embora não haja estudos estatísticos sobre a ocorrência do exibicionismo – faixa etária, grau de instrução, casada ou solteira na maioria, etc – a literatura especializada possui relatos quase exclusivamente de casos de exibicionismo masculino, de faixas etárias e condições sócio-econômicas as mais variadas.


5) O exibicionismo, na maioria dos casos, está vinculado a outros fetiches como fantasias com trocas de casais, etc.?

É raro encontramos uma situação que possua uma forma única de excitação sexual. O exibicionismo, assim como outras práticas sexuais, vem quase sempre acompanhado de outras fantasias. “Quais?” Mais uma vez, isso dependerá da história de cada um; do contato com a sexualidade, no sentido amplo, que cada sujeito teve desde o início da vida.


6) É comum existir homens exibicionistas?

Como já respondi na pergunta de número quatro, os relatos encontrados na literatura especializada referem-se, quase exclusivamente, a homens excibicionistas. O mais “clássico” é aquele sujeito que se expõe, das formas as mais diversas, em locais públicos, parques, nas imediações de escolas. A excitação destes sujeitos vem muito mais do choque causado pelo passante desavizado do que pelo exibir-se em si.

Paulo Roberto Ceccarelli*

e-mail: pr@ceccarelli.psc.br

* Psicólogo; psicanalista; Doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade de Paris VII; Membro da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental; Membro da “Société de Psychanalyse Freudienne”, Paris, França; Consultor científico (Editorial Reader) do “International Forum of Psychoanalysis”; Membro do Conselho Científico da Revista Psychê; Membro do Conselho Científico da Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental; Membro Fundador da ONG TVer; Vice-presidente do TVer-MG; Professor no Departamento de Psicologia da PUC-MG; Conselheiro Efetivo do X Plenário do Conselho Regional de Psicologia da Quarta Região (CRP/O4).


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